Recomendo o filme  “Dois dias, uma noite”. Realmente demonstra o estado atual das relações de trabalho, e talvez o retrato de nossa sociedade esfacelada pelo individualismo, de homens sem humanidade. Todas as questões relacionadas com o trabalho estão ali: assédio, a depressão, o desprezo pelo ser humano com problemas de saúde, a ausência de crítica à clara opressão do empregador, que coloca os trabalhadores uns contra os outros, a inexistência do sindicato ou do coletivo de trabalhadores, a assunção do discurso do opressor pelo oprimido, os contratos temporários, a vulnerabilidade, a ausência de esperança. Para mim, a frase do filme vem da boca da Cotillard, que merece ganhar pela segunda vez o Oscar: “eu queria estar no lugar dele”, apontando para um passarinho. Um pássaro não reconhece racionalmente outro pássaro como um semelhante, unem-se por instinto. O homem sabe racionalmente quem é seu semelhante, mas não há empatia neste mundo de todos contra todos. Qual mundo que queremos? Qual mundo do trabalho que queremos: o produtivo pelo produtivo, ou que haja o respeito para todos os tipos e momentos do ser humano?”