O último filme de Ken Loach, atualmente nos cinemas, é uma peça de denúncia do processo de desumanização que o mundo vem sofrendo e de suas consequências. O algoritmo é o conceito central para se entender a desumanização (cf. o livro  Homo Deus, de Yuval Harari), e é abordado desde a cena inicial do filme, na qual o personagem título tem que responder a extenso formulário para obter a licença-saúde, mesmo com lau A do médico atestando grave doença no coração. A substituição do homem humano pelo homem autômato, escravo do algoritmo e a quem é negado ter o traço distintivo do ser humano – a consciência, é bem explorada no filme. O seu reverso também, como observou minha mulher Bianca Carelli: a permanência de pequenas redes de solidariedade entre homens humanos. A esperança é que essas redes consigam novamente crescer e abranger aquilo que se chama de humanidade. Caso contrário, o que nos restará será a barbárie autômata.

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